Oito meses após o escândalo que revelou a existência de cerca de 18 mil funcionários fantasmas no aparelho do Estado, o Governo moçambicano assegura que as investigações continuam para identificar e responsabilizar os autores da fraude milionária.
O Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, afirmou recentemente à STV que o Executivo está a levar a cabo processos disciplinares e criminais contra os envolvidos na inserção de dados falsos na folha salarial do Estado. Segundo o governante, a complexidade do caso reside no facto de as infrações envolverem gestores e funcionários que manipularam milhares de dados.
Apesar do tempo decorrido desde a descoberta, os nomes dos principais responsáveis ainda não foram revelados. Impissa justificou o sigilo com a necessidade de preservar a integridade das investigações.
“Há processos disciplinares e processos crime que vão ocorrer, porque a violação de determinados procedimentos consubstancia-se em crime. Há muita gente envolvida e, até lá, não se pode anunciar nem nomes, nem dados”, explicou o Ministro.
O governante esclareceu que o volume de 18 mil elementos detetados não corresponde necessariamente ao número de prevaricadores, mas sim à quantidade de dados vinculados a irregularidades. “Pode ser que um único indivíduo tenha criado, por hipótese, uma violação para 120, 200 ou 300 casos”, detalhou, apontando o dedo a gestores e técnicos do sistema.
A estratégia do Ministério agora foca-se em separar o “erro de sistema” do “erro humano” deliberado. A expectativa é que, com o avançar das perícias, alguns casos sejam tornados públicos como forma de desencorajar novas práticas de corrupção na Função Pública.
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