Mais de um milhão de pessoas continuam a necessitar de assistência humanitária em Moçambique

Mais de 1,3 milhão de pessoas, a maioria mulheres e crianças afectadas pelo conflito armado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, continuam a necessitar de assistência humanitária em Moçambique.

O dado foi avançado esta quarta-feira (20), em Maputo, pelo secretário permanente do Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, Paulo Beirão, durante a abertura da Mesa Redonda sobre o Plano Nacional de Acção sobre Mulheres, Paz e Segurança.

Segundo o dirigente, cerca de 80% das pessoas afectadas são mulheres e crianças, grupo mais vulnerável aos impactos do terrorismo, deslocamentos forçados e instabilidade social. “O conflito armado, extremismo e deslocamentos têm fragilizado o tecido social”, afirmou o governante.

Citado numa publicação da AIM, Paulo Beirão destacou igualmente o papel das mulheres na preservação da estabilidade comunitária, considerando a sua liderança “um antídoto importante” contra os efeitos da violência e insegurança.

A fonte explicou que o governo prevê reforçar as respostas emergenciais e implementar medidas estruturais destinadas a reduzir a vulnerabilidade das populações afectadas.

Na ocasião, anunciou que Moçambique concluiu o primeiro Plano Nacional de Acção sobre Mulheres, Paz e Segurança referente ao período 2018-2022 e prepara actualmente o segundo ciclo, que deverá vigorar entre 2026 e 2035.

“A formulação do novo plano adoptou uma abordagem integrada, com consulta ampla e orientação estratégica de género até 2029. O próximo passo será consolidar lições aprendidas e alinhar metas e indicadores orçamentais para responsabilização”, declarou.

Por sua vez, o director-executivo do Instituto para Democracia Multipartidária, Hermenegildo Mulhovo, alertou que as mulheres são as principais vítimas dos conflitos armados, permanecendo muitas vezes afastadas dos mecanismos formais de resolução de crises. “Em várias comunidades afectadas pelos conflitos foram as mulheres que conseguiram estabilizar o diálogo e prevenir mais vítimas”, afirmou.

Segundo Mulhovo, em Cabo Delgado, mulheres e raparigas continuam expostas a deslocamentos forçados, violência sexual, perda de meios de subsistência e exclusão social.

O responsável referiu ainda que, nas províncias do centro do país afectadas pelos legados dos conflitos militares, muitas mulheres enfrentam pobreza, insegurança alimentar e fragilidade económica. No entanto, advertiu igualmente para os riscos associados à demora na aprovação formal do novo plano nacional.

“A demora pode comprometer a coordenação institucional e deixar milhares de mulheres sem instrumentos adequados de protecção e formação”, alertou.

A coordenadora residente das Nações Unidas em Moçambique, Catherine Sozi, considera que a mesa redonda deve servir como espaço de compromisso em torno da promoção da paz sustentável, inclusão e coesão social.

Já o embaixador da Irlanda acreditado em Moçambique, Patrick Empey, reafirmou a disponibilidade do seu país para apoiar técnica e financeiramente o Plano Nacional de Acção sobre Mulheres, Paz e Segurança. “A insegurança não pode ser vista apenas do ponto de vista do conflito militar, mas também da pobreza”, afirmou.

 

(Foto DR)

Deixe um comentário