Negócios

Mineradora chinesa adquire 70% dos activos de grafite da Triton em Cabo Delgado

Uma subsidiária da empresa chinesa Shandong Xinsheng Minerals (anteriormente Shandong Yulong Gold) adquiriu uma participação de 70% nos activos de grafite da empresa mineira australiana Triton Minerals por 17 milhões de dólares australianos (cerca de 11 milhões de dólares).

A Triton Minerals detinha os direitos sobre jazidas de grafite na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Em 2023, a empresa tinha obtido uma concessão mineira de 25 anos para a jazida de grafite de Cobra Plains, concedida pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

Segundo uma publicação da AIM, o negócio abrange o projecto de Ancuabe e a concessão de Cobra Plains, garantindo o controlo chinês sobre reservas-chave anteriormente detidas pela empresa de exploração australiana.

A aquisição surge na sequência da inauguração, em janeiro, de uma mina de grafite e de uma unidade de processamento no valor de 150 a 200 milhões de dólares em Nipepe, na província de Niassa, no norte do País, construídas pela DH Mining, parte do grupo chinês Jinan Yuxiao, com uma capacidade anual prevista de 200 000 toneladas.

Em conjunto, estas operações consolidam o controlo chinês sobre um vasto portfólio de jazidas de grafite por explorar e sobre importantes infra-estruturas de transformação no norte de Moçambique.

Actualmente, a China extrai três quartos do grafite natural mundial e controla cerca de 90% da sua transformação para uso em baterias. Enquanto os governos ocidentais procuram cadeias de abastecimento alternativas para os ânodos das baterias de veículos eléctricos, os baixos preços de mercado têm dificultado o financiamento de projectos para pequenas empresas de exploração ocidentais, permitindo que grupos industriais chineses bem capitalizados adquiram activos em dificuldades.

Moçambique mantém interesses significativos no sector da grafite por parte de empresas não chinesas, nomeadamente a australiana Syrah Resources, que opera a mina de grande escala de Balama, a par de jazidas inexploradas detidas pela britânica Total Graphite em Montepuez e Balama Central, e uma instalação da empresa alemã AMG, actualmente suspensa, em Ancuabe.

No entanto, os analistas alertam que o sector corre o risco de replicar o modelo da indústria do carvão da província de Tete, onde conglomerados estrangeiros extraem matérias-primas para a indústria transformadora nacional no estrangeiro, deixando aos países anfitriões actividades de menor valor na cadeia de abastecimento.

Em Junho, o Presidente da República, Daniel Chapo, promulgou a nova lei mina que concede ao Estado uma participação gratuita de 15% em novos projectos e proíbe a exportação de minerais não transformados. Apesar destes controlos regulamentares, as atuais operações de transformação locais produzem grafite básico, deixando as etapas de refinação de maior valor, como a purificação, o revestimento e o fabrico de ânodos, a cargo de empresas no estrangeiro.

 

(Foto DR)

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