Nampula: PODEMOS acusa polícia de vender liberdade a traficantes de drogas

O partido PODEMOS denunciou a existência de alegados esquemas de corrupção e extorsão em algumas esquadras da província de Nampula, acusando agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) de libertarem suspeitos de consumo e tráfico de drogas mediante pagamento de subornos.

A denúncia foi feita pelo chefe da bancada provincial do PODEMOS em Nampula, Martins Noronha, que afirma existir uma rede informal de interesses ilícitos ligada ao narcotráfico, envolvendo alguns membros da corporação policial.

Segundo o político citado pelo portal Ngani, o fenómeno deixou de ser apenas um problema de segurança pública para se transformar numa actividade económica clandestina que alimenta o crescimento do consumo de drogas entre os jovens, sobretudo da metanfetamina, conhecida popularmente por “makha”.

Noronha afirma que o estilo de vida de alguns agentes da polícia levanta suspeitas sobre possíveis ligações ao narcotráfico. “Não faz sentido um agente de pequeno escalão, com salário baixo, em três ou quatro meses aparecer com uma viatura de grande cilindrada, sem crédito bancário e sem vir de uma família rica. Há indícios claros de envolvimento em redes ligadas à droga”, declarou.

Na mesma publicação, o deputado denuncia ainda que muitos cidadãos detidos por consumo ou venda de drogas acabam libertados directamente nas esquadras, sem qualquer seguimento judicial, após pagamentos feitos pelas famílias. “O que acontece é que ligam para os familiares e exigem valores entre 15 mil e 50 mil meticais. O dinheiro é pago e o suspeito sai da esquadra sem chegar ao tribunal”, acusou.

Segundo Noronha, este alegado esquema está a criar um ciclo de impunidade que favorece a expansão do consumo e comércio de drogas, incluindo entre menores de idade.

“Hoje vemos mulheres e crianças a serem usadas como instrumentos de venda. Estamos a transformar a sociedade num espaço de circulação de drogas sem controlo”, alertou.

O político considera igualmente preocupante o facto de muitos alegados traficantes de maior escala nunca chegarem aos tribunais, apesar das detenções frequentes anunciadas pelas autoridades. “Prendem consumidores e pequenos vendedores, mas os grandes fornecedores continuam invisíveis. Há um bloqueio claro na cadeia de responsabilização”, afirmou.

Para Martins Noronha, o combate ao narcotráfico não deve limitar-se à repressão policial, defendendo uma abordagem que inclua assistência médica e reintegração social dos consumidores. “O consumidor não deve ser tratado apenas como criminoso. É também um doente que precisa de tratamento e reabilitação”, defendeu.

O dirigente político alerta que o consumo de drogas atingiu níveis alarmantes entre jovens e estudantes na província de Nampula, contribuindo para o aumento da criminalidade e degradação social. “Estamos a perder uma geração inteira para as drogas. A juventude, que devia ser o futuro do País, está a ser destruída”, lamentou.

Noronha defende maior transparência e rigor no funcionamento das instituições policiais e judiciais, advertindo que, sem responsabilização efectiva dos verdadeiros financiadores e fornecedores, o problema continuará a agravar-se.

 

(Foto DR)

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