“O que é que se fez em 50 anos que mostra que o nosso país cresceu?”, pergunta Zebito ao analisar o legado dos governantes
O conhecido activista social e analista mediático Zebito manifestou o seu profundo descontentamento com a situação dos cidadãos moçambicanos que regressaram recentemente da África do Sul, vítimas de violência xenófoba. As declarações foram feitas esta segunda-feira, no terminal rodoviário da Junta, em Maputo — local onde os afectados se encontram temporariamente acampados —, durante uma reportagem do programa Batidas, da TV Sucesso.
Num discurso contundente, Zebito lamentou o cenário de desespero enfrentado pelos compatriotas e questionou duramente o percurso de desenvolvimento do país nas últimas décadas, associando a falta de oportunidades de emprego e a corrupção à necessidade de migração de risco.
Questionado sobre as perspectivas para o futuro da juventude moçambicana, o activista foi perentório ao afirmar que a falta de respostas estruturais destrói a esperança de quem procura sustento.
“Ninguém gostaria de sair do seu país para ser feito isto aqui. É porque o nosso país não tem oportunidades para todos”, desabafou Zebito, sublinhando que o crescimento económico apregoado pelas lideranças políticas não se reflete na vida do cidadão comum.
O comentador alertou ainda os jovens para que tenham cautela com promessas de emprego no estrangeiro, classificando certas ofertas que surgem na Europa, nomeadamente em Portugal, como autênticas “armadilhas”.
Confrontado com a postura que o Executivo moçambicano deveria adotar face às recorrentes agressões e pilhagens de que os moçambicanos são alvos na África do Sul, Zebito defendeu uma posição de maior firmeza e reciprocidade por parte do Estado.
“As medidas são severas. Tomou medidas severas com os nossos filhos, nós também tínhamos que tomar medidas severas contra os sul-africanos. Isso é que podia doer para os sul-africanos”, sugeriu, criticando o que considera ser uma passividade institucional em nome dos direitos humanos que, segundo as suas palavras, não protege os mais desfavorecidos.
Para o analista, a solução definitiva para estancar a migração forçada passa obrigatoriamente por reformas internas profundas no aparelho do Estado. Zebito defendeu que os dirigentes nacionais precisam de abandonar a “ganância” e focar-se no desenvolvimento inclusivo. “A única coisa para resolver este problema: deve parar a corrupção neste país. Os dirigentes devem trabalhar em prol do crescimento do país. Porque a partir do momento em que um dirigente pensa nele, o país não cresce, crescem pessoas”, vincou.
Na reta final da sua intervenção, Zebito fez uma retrospectiva sobre o impacto da governação dos diferentes Presidentes da República de Moçambique desde a independência nacional. Evocando os nomes de Samora Machel, Armando Guebuza e Filipe Nyusi, o activista apontou para a realidade visível no terreno como o verdadeiro indicador da eficácia política.
“Qual é o legado que você está a ver? O legado que deixou está aqui. Os actos falam por si. Se ele disser que legado há de haver, com pessoas a dormir no chão aqui?”, concluiu, apelando a que as lideranças governativas governem com foco no bem-estar colectivo para deixarem uma marca positiva na história do país.




