Países da CEDEAO aderem ao ‘’Pan-Africano’’ Gasoduto Atlântico Africano Nigéria-Marrocos
A Cimeira de Chefes de Estado e de Governo dos países membros da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) acolheu, ontem, domingo, 19, em Freetown, Serra Leoa, a assinatura do Acordo Intergovernamental (AIG) que rege o desenvolvimento do Gasoduto Atlântico Africano Nigéria-Marrocos (AAGP), uma infra-estrutura energética de quase 6.800 quilómetros destinada a transportar gás natural da Nigéria para Marrocos, antes da sua ligação à rede de gás europeia.
Esta assinatura marca o compromisso dos Estados-membros da CEDEAO com o Gasoduto Atlântico Africano Nigéria-Marrocos, iniciado pelo Rei Mohammed VI de Marrocos e pelo falecido ex-Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, com o apoio contínuo do actual Presidente Bola Ahmed Tinubu. Este projecto está a ser desenvolvido pelo Gabinete Nacional de Hidrocarbonetos e Minas de Marrocos (ONHYM) e pela Companhia Nacional de Petróleo da Nigéria (NNPC Ltd.)
.Este importante marco alcançado em Freetown precede as próximas etapas do lançamento do projecto, que incluirão a criação da empresa do empreendimento, com sede em Casablanca, e da Autoridade Superior do Gasoduto, com sede em Abuja, antes da angariação de investidores e da preparação da decisão final de investimento.
Esta fase será concluída com a assinatura conjunta do acordo pelo Reino de Marrocos e pela República Islâmica da Mauritânia, países não membros da CEDEAO, numa cerimónia separada a realizar posteriormente, na presença do Presidente da República Federal da Nigéria.
Uma vez concluído, o gasoduto atravessará treze países ao longo da costa atlântica africana e ligará ao gasoduto Magrebe-Europa, no norte de Marrocos.
Terá uma capacidade de transporte de 30 mil milhões de metros cúbicos de gás natural por ano, dos quais até 15 mil milhões de metros cúbicos poderão ser exportados para Marrocos e para a Europa, sendo o restante destinado aos mercados regionais. Estimado em aproximadamente 25 mil milhões de dólares, o Gasoduto Atlântico Africano pretende criar um mercado regional integrado de gás natural na África Ocidental, apoiando a geração de electricidade, a industrialização e o desenvolvimento dos recursos naturais do continente. A entrada em funcionamento dos primeiros troços está prevista para o início da próxima década.
Lançado como uma iniciativa estratégica conjunta entre Marrocos e a Nigéria, o Gasoduto Atlântico Africano está agora a consolidar-se como um projecto defendido por toda a região da África Ocidental.
A participação dos Estados-membros da CEDEAO no projecto reforça a sua base política e institucional, ao mesmo tempo que reforça o impulso inicial dado pelos dois países promotores, que acreditam que a segurança energética de África é um factor-chave para a soberania, a industrialização e a prosperidade partilhada.
Ao formalizar o compromisso colectivo dos Estados-membros da CEDEAO, a Cimeira de Freetown confirma o âmbito africano desta iniciativa e o seu papel central nas políticas de integração do continente.
A ONHYM e a NNPC Ltd. indicam que os principais estudos técnicos, ambientais e de engenharia já foram concluídos, permitindo que o projeto entre gradualmente na sua fase de desenvolvimento operacional, após a assinatura deste Acordo em Rabat por Marrocos e Mauritânia.
Para além do seu papel energético, esta infra-estrutura pretende criar um verdadeiro corredor de desenvolvimento que ligue as economias africanas, reforçando a sua integração e competitividade.




