A Polícia Nacional de Angola desmistificou rumores acerca de alegados desaparecimento de órgãos genitais associados à feitiçaria, garantindo que nenhum caso foi confirmado pelas autoridades e pedindo calma à população.
Em declarações à Rádio Nacional de Angola (RNA), o porta-voz da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais, Quintino Ferreira, afirmou existir um “alarmismo e pânico generalizado que está a ser provocado por pessoas de má-fé”. “Não há nenhum caso comprovado, não há necessidade de pânico nem de alarmismo”, referiu a fonte.
De acordo com uma publicação da RFI, os casos de acusação de feitiçaria ocorreram nas províncias da Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico e também em Luanda. Durante os incidentes, 12 foram detidas por envolvimento em actos de agressão relacionados com os supostos roubos — cinco no Moxico e sete na Lunda Norte, sendo que nestas últimas as agressões tiveram como consequência a morte de uma pessoa que foi espancada.
Quintino Ferreira alertou para o facto de haver pessoas com dificuldade de circular livremente, sobretudo na zona leste do país, com limitações para ir à escola ou aceder a serviços, apelando a que possam “circular à vontade.”
Em Moçambique, pelo menos 55 pessoas morreram e 111 ficaram feridas em actos de violência registados nas últimas semanas, associados a boatos sobre o suposto desaparecimento de órgãos genitais masculinos, tendo sido detidos 149 cidadãos.
As superstições sobre o alegado atrofiamento, encolhimento e até desaparecimento de órgãos genitais, a partir de um toque de alguém, tiveram início em 18 de Abril, na província de Cabo Delgado, tendo-se posteriormente espalhado para outras regiões e para as redes sociais.
As autoridades moçambicanas têm alertado que não existe qualquer mecanismo que permita atrofiar órgãos genitais por contacto físico, como tem sido alegado, afastando a possibilidade de ocorrerem através de um simples toque ou aperto de mão.
Entretanto, uma onda de psicose espalhou-se também na República Democrática do Congo (RDC), na região do Katanga, onde uma dezena de pessoas foram acusadas de serem responsáveis pelo desaparecimento de órgãos genitais por via de um simples contacto físico. Quatro pessoas morreram: uma mulher foi apedrejada e três homens foram queimados vivos.
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