Mais de três mil alunos encontram-se sem aulas devido à greve dos docentes, que reivindicam o pagamento de subsídios em atraso desde 2023 e denunciam cortes repentinos nos seus ordenados.
Os professores de três estabelecimentos de ensino decidiram abandonar as salas de aula e paralisar as actividades lectivas a partir desta segunda-feira, 15 de Junho. A decisão surge como uma medida de pressão contra o que consideram “falta de resposta” das autoridades governamentais face às suas reivindicações contratuais e laborais, deixando mais de três mil estudantes sem o processo de ensino-aprendizagem.
Segundo Sebastião Lourenço Manhiça, representante dos professores afectados, a classe já havia submetido uma nota informativa às instâncias superiores ao longo da semana passada, alertando para a iminência da greve caso os problemas não fossem devidamente acautelados.
No topo das inquietações dos docentes está o não pagamento das horas extras, uma dívida que o Estado moçambicano vem acumulando desde o ano de 2023 até ao presente momento. De acordo com os relatos, a situação gerou um clima de desmotivação geral, levando a que muitos profissionais optassem por deixar de leccionar os turnos adicionais.
“O Estado tem dívida connosco de horas extras desde 2023 até ao presente. Há quem ainda faça, há quem já não faça por várias razões”, explicou Sebastião Manhiça à STV.
Para além dos subsídios em atraso, a indignação da comunidade escolar subiu de tom após os professores terem sido surpreendidos com cortes salariais na ordem dos 5% nos seus ordenados mais recentes.
Os docentes denunciam que a medida foi aplicada sem qualquer aviso prévio ou esclarecimento oficial por parte do Ministério que tutela o sector. Os valores descontados variam entre 1.500 Meticais, 2.000 Meticais e 3.000 Meticais, dependendo da categoria e da posição de cada funcionário na tabela salarial da Função Pública.
Os profissionais referem ainda que a falta de diálogo transparente e a existência de alegadas ameaças para abafar as contestações pesaram na decisão de cruzar os braços. A comunidade educativa e os encarregados de educação olham agora com preocupação para os impactos desta paralisação no calendário escolar e no aproveitamento dos milhares de alunos prejudicados.
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