Tragédia em Angola: Desabamento de mina de ouro faz 26 mortos em Bengo

O drama e o luto abalaram a província angolana do Bengo no último sábado (23). O desabamento de uma mina de exploração artesanal de ouro, no município de Nambuangongo, resultou na morte de pelo menos 26 jovens garimpeiros. Até ao momento, há o registo de apenas quatro sobreviventes, mas as autoridades temem que o número de vítimas mortais possa subir a qualquer momento.

O sinistro ocorreu na calada da madrugada, no bairro Kifula (comuna de Canacassala). Os jovens seguiam na sua rotina laboral no interior da mina quando foram surpreendidos pelo desabamento de uma enorme quantidade de terra, que os soterrou instantaneamente.

A resposta à tragédia está a ser severamente afectada pela escassez de recursos logísticos. Sem equipamentos pesados e adequados para o efeito, os corpos das vítimas estão a ser transportados em tipóias (macas improvisadas).

O ambiente no município de Nambuangongo é de consternação, dor e revolta. Dezenas de famílias permanecem aglomeradas no terreno, num desespero total à espera de notícias sobre os parentes que continuam soterrados.

Os dados do sinistro foram avançados pela delegação do Secretariado Provincial da UNITA (maior partido da oposição daquele país) no Bengo, liderada pelo deputado Moniz Alfredo, que se deslocou ao terreno para prestar solidariedade e acompanhar os trabalhos de busca.

Esta tragédia traz novamente à superfície o debate sobre os perigos do garimpo ilegal e descontrolado de recursos minerais na região da África Austral. À semelhança do que se assiste frequentemente em vários pontos de Moçambique, a mineração artesanal em Angola é fortemente marcada pela ausência total de condições de segurança e protecção no trabalho.

Soma-se a isto a falta de fiscalização por parte das autoridades competentes e a escassez de assistência técnica para evitar desabamentos em épocas críticas.

As operações de socorro e remoção da terra continuam no local, numa autêntica corrida contra o tempo, liderada pelas autoridades locais e por membros da comunidade que se mobilizaram solidariamente.

Imagem: DR

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