Nacional

Venâncio Mondlane exige clarificações a Fernando Lima sobre declarações relativas às Eleições de 2024

O antigo candidato presidencial Venâncio António Bila Mondlane submeteu, esta sexta-feira, 10 de Julho de 2026, um pedido formal de esclarecimento ao conceituado jornalista e comentador Fernando Lima.

Em causa estão as recentes declarações proferidas por Lima no programa “Directo ao Assunto”, da TV Limpopo, onde afirmou ter tido acesso às actas e editais depositados no Conselho Constitucional (CC) e que estes não comprovavam uma vitória incontestável de Mondlane nas Eleições Gerais de 9 de Outubro de 2024.

Na missiva enviada ao jornalista, Venâncio Mondlane recorre à sua condição de cidadão e de candidato no último escrutínio presidencial para exigir esclarecimentos formais em salvaguarda do seu bom nome, honra e prestígio. O foco da contestação reside na afirmação de Fernando Lima, que garantiu ter acedido aos resultados apresentados à alta corte e concluído que nenhum desses documentos atestava o candidato do partido PODEMOS como vencedor incontestável do sufrágio.

Considerando o forte impacto destas declarações na opinião pública e nas redes sociais, Mondlane confrontou o profissional da comunicação com um questionário minucioso composto por 11 pontos fundamentais e três subquestões adicionais. O político questiona directamente a logística por detrás da suposta auditoria independente realizada pelo jornalista, lembrando que o processo eleitoral moçambicano envolveu um universo oficial de mais de 26 mil mesas de assembleia de voto e mobilizou cerca de 184.500 membros e escrutinadores.

Entre as exigências de esclarecimento apresentadas, Mondlane demanda saber a data exacta do acesso e em que sala ou compartimento do edifício do Conselho Constitucional o comentador foi acomodado para manusear e contabilizar as milhares de cópias sob custódia da instituição. O documento insta ainda o jornalista a clarificar a metodologia de análise utilizada, questionando se realizou uma contagem manual solitária ou se contou com o auxílio de técnicos especializados. Adicionalmente, é levantada a questão do protocolo de segurança, desafiando Lima a confirmar se cumpriu com o registo obrigatório de identificação na guarita ou secretaria do edifício, alertando que a instituição poderá ser oficiada para provar as referidas entradas e saídas.

No âmbito técnico da investigação jornalística, a carta interroga se a auditoria se limitou ao material depositado pela candidatura do PODEMOS ou se abrangeu os restantes concorrentes, exigindo a revelação de qualquer registo físico ou digital, como bases de dados ou folhas de cálculo, que fundamente o resultado exacto e a percentagem eleitoral constatada. Mondlane questiona também se houve um confronto directo, mesa por mesa, entre as actas da oposição e os dados oficiais da Comissão Nacional de Eleições (CNE), ou se o comentador se baseou apenas em dados pré-fabricados e amplamente conhecidos.

O líder político vai mais longe ao criticar o que considera ser um cepticismo selectivo por parte de Fernando Lima. Mondlane questiona por que razão o mesmo rigor e desconfiança não são aplicados ao candidato da Frelimo, exigindo saber que provas empíricas o jornalista detém para validar que a vitória declarada pela CNE foi, de facto, incontestável, perante as inúmeras irregularidades apontadas por observadores.

Para fundamentar a sua contestação, a missiva recorda que a própria Presidente do Conselho Constitucional, quando questionada publicamente sobre os procedimentos de verificação, referiu que a instituição dispunha de uma equipa técnica multifacetada e dedicada em exclusividade a essa complexa tarefa. Face a este cenário, Mondlane argumenta que se torna imperioso perceber como o jornalista logrou obter tal nível de detalhe e formulação conclusiva de forma isolada.

Atendendo à gravidade do tema e à necessidade de clarificar se as declarações televisivas se ancoram em factos empiricamente testados ou em meras assunções dedutivas, Venâncio Mondlane estipulou um prazo razoável de 15 dias para que Fernando Lima responda por escrito. Esta resposta servirá para aferir a necessidade de eventuais diligências subsequentes por parte do antigo candidato presidencial.

Imagem: DR

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo