Nacional

Governo vai criminalizar agências de viagens falsas envolvidas em branqueamento de capitais

O Governo moçambicano garantiu que as agências de viagens e turismo usadas como fachada para o branqueamento de capitais no país serão desmanteladas e os seus gestores responsabilizados criminalmente.

A garantia foi dada pelo porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, após a divulgação de um relatório alarmante do Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM).

Segundo os dados partilhados pelas autoridades, a rede de empresas fraudulentas terá movimentado mais de 58 mil milhões de meticais no sistema financeiro nacional de forma ilícita. O esquema consistia em usar o fluxo de numerário do sector do turismo e contas bancárias de colaboradores para fragmentar depósitos e fugir ao fisco, simulando actividades comerciais legítimas.

O porta-voz explicou que as acções em curso fazem parte de uma estratégia concertada do Estado para travar os crimes financeiros que lesam a economia nacional. O trabalho de monitorização, coordenado com o Ministério do Trabalho, permitiu detectar operadoras que funcionavam puramente como “empresas de fachada”.

“O nível onde nós gostávamos de chegar é: primeiro identificar, caracterizar o problema e depois resolver. A entidade que nós criámos para fazer isto está a conseguir fazer o seu papel”, sublinhou Inocêncio Impissa.

A reacção do Executivo surge numa altura em que a própria Associação das Agências de Viagens e Turismo de Moçambique (Avitum) já vinha denunciando a concorrência desleal e movimentações suspeitas no mercado. De acordo com a agremiação, o surgimento repentino de agências sem histórico local, mas com volumes de facturação invulgares — incluindo a emissão de passagens aéreas internacionais sem qualquer ligação geográfica com Moçambique —, já tinha levantado suspeitas na praça.

Com o relatório do GIFiM agora nas mãos do Executivo, o caso segue para as instâncias judiciais. Nos próximos dias, espera-se a aplicação de um pacote de medidas administrativas e criminais para travar em definitivo as redes de lavagem de dinheiro que operam sob a capa do turismo nacional.

Imagem: DR

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