O Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), Nelson Nunes, veio a público acusar os órgãos de comunicação social de deturparem a realidade sobre a crise na emissão de cartas de condução em Moçambique. Enquanto a liderança assegura que a situação está sob controlo, a indignação popular cresce, com cidadãos a relatar esperas que já duram meia década.
Em declarações recentes à TV Miramar, o timoneiro do INATRO minimizou o impacto das falhas que têm fustigado a instituição, defendendo que os atrasos são residuais e que a capacidade de resposta actual supera a procura.
“É claro que existem cartas que sofreram algum atraso devido a algum problema, mas a instituição está muito bem. As cartas são produzidas acima da captação”, vincou Nelson Nunes.
Para o PCA, o cenário de caos pintado pela comunicação social não condiz com o pulsar actual dos serviços, que, segundo a sua avaliação, decorrem dentro da normalidade.
Contrariamente ao tom optimista da direcção do INATRO, o quotidiano dos utentes nas delegações da instituição conta uma história radicalmente diferente. O descontentamento é generalizado e há quem sinta na pele o peso da lentidão burocrática.
Multiplicam-se os relatos de cidadãos que renovaram ou tiraram a carta de condução pela primeira vez e continuam dependentes de sucessivas renovações de licenças provisórias. Nas redes sociais e nas longas filas das delegações, os casos mais graves envolvem utentes que asseveram estar há cerca de cinco anos sem conseguir deitar a mão ao documento definitivo.
A reacção do PCA caiu como um balde de água fria e acendeu ainda mais o debate nas plataformas digitais. Milhares de moçambicanos questionam abertamente a eficiência e a transparência dos serviços prestados pelo INATRO, exigindo soluções práticas em vez de justificações institucionais.
A discrepância entre o discurso oficial e a realidade das guias provisórias continua a ser o principal combustível para a indignação dos automobilistas moçambicanos.
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