Moçambique defende acesso directo ao financiamento climático internacional

O Governo moçambicano defende a criação de mecanismos nacionais que permitam ao País aceder directamente ao financiamento climático internacional e aos mercados de carbono, reduzindo a dependência de intermediários nas negociações ligadas à transição verde e resiliência climática.

A posição foi defendida esta quarta-feira (20), em Maputo, pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, durante o Diálogo Político de Alto Nível sobre o Pacto Ecológico para reforço da parceria na transição verde e resiliência climática, encontro que reuniu representantes do governo e parceiros da União Europeia.

Segundo o governante, Moçambique necessita de assistência técnica especializada para melhor aproveitar as oportunidades existentes no mercado climático internacional sem comprometer os benefícios destinados ao País.

“O que nós queremos é uma assistência técnica directa que permita que Moçambique possa melhor aproveitar os diversos caminhos de financiamento climático e não cair nas mãos de intermediários”, afirmou Roberto Albino, citado pela AIM.

Na ocasião, Albino revelou que recebe frequentemente propostas de operadores interessados em intermediar a entrada do país no mercado de carbono, exigindo percentagens elevadas sobre os ganhos obtidos. “Eu recebo todos os dias pedidos de intermediários que querem ajudar Moçambique a entrar no mercado de carbono, mas sempre vão me pedir 30%”, disse o governante, explicando que o Executivo pretende apoio da União Europeia para desenvolver mecanismos nacionais de participação nos mercados de carbono, assegurando maior transparência, capacidade técnica e retenção dos benefícios financeiros resultantes da agenda climática.

O ministro destacou que Moçambique possui elevado potencial para beneficiar da economia verde, devido à disponibilidade de recursos naturais, biodiversidade e capacidade de produção de energias renováveis.

Durante a sua intervenção, defendeu igualmente a aceleração de investimentos em energia, água, saneamento e outras infra-estruturas básicas, sobretudo nas zonas rurais, como forma de reduzir desigualdades sociais e territoriais.

O governante defendeu ainda o reforço de investimentos em energias renováveis e soluções off-grid, considerando que estas podem acelerar o acesso das comunidades à electricidade, água e saneamento.

 

(Foto DR)

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