Moçambique explora menos de 20 por cento da terra arável disponível

Dos cerca de 36 milhões de hectares de terra arável disponível no país, apenas 17,8 por cento são explorados, indica o III Censo Agro-Pecuário (CAP 2023/24), apresentado ontem em Maputo.

Segundo avança a publicação da AIM citando os dados do III Censo, o país cultiva pouco mais de 6,5 milhões de hectares, num contexto em que a agricultura familiar continua a dominar a produção nacional, mas ainda com baixos níveis de mecanização, irrigação e integração comercial.

Falando no evento, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, considerou que os dados do censo evidenciam simultaneamente os desafios estruturais e o enorme potencial de transformação do sector agrário moçambicano.

“O facto de apenas cerca de 17,8 por cento da terra arável disponível estar actualmente cultivada demonstra, de forma inequívoca, que Moçambique continua a possuir uma das maiores reservas estratégicas de potencial agrícola no continente africano”, afirmou.

O futuro da transformação económica do país, refere o governante, dependerá da capacidade de converter a agricultura de subsistência em comercial, resiliente e orientada para a agro-industrialização.

O levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indica que o país possui cerca de 5,2 milhões de explorações agrícolas, das quais 99,9 por cento correspondem a pequenas e médias explorações.

Mais de 84 por cento das explorações agrícolas possuem menos de dois hectares, realidade que, segundo os dados apresentados, continua a limitar os níveis de produtividade e acesso à assistência técnica.

O CAP revela igualmente que 38 por cento das explorações agrícolas são chefiadas por mulheres, reforçando o papel feminino na produção alimentar nacional.

No subsector pecuário, o censo aponta para um efectivo nacional estimado em cerca de 2,4 milhões de bovinos, 4,2 milhões de caprinos e aproximadamente 16 milhões de galinhas de raça local.

A operação estatística decorreu entre Dezembro de 2024 e Maio de 2025, cobrindo 142 dos 161 distritos do país, equivalente a uma cobertura territorial de 88,2 por cento.

Na província de Cabo Delgado, seis distritos ficaram fora da operação devido à situação de insegurança provocada pela insurgência armada.

, Rinku Murgai, considerou que o censo representa “muito mais do que um exercício estatístico”.

Segundo afirmou, os novos dados poderão apoiar a identificação de cadeias de valor prioritárias, reforçar programas de produtividade agrícola e orientar investimentos no sector.

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