Os transportadores de diversas rotas no município da Matola estão em pé de guerra com as suas associações. Em causa está a alegada exclusão de vários operadores das listas de beneficiários dos subsídios governamentais, destinados a mitigar o impacto da subida do preço dos combustíveis no sector.
Segundo apurou a reportagem da STV, os operadores denunciam a existência de um “grupinho” que controla as listas de forma pouco transparente. Muitos afirmam que, apesar de canalizarem taxas diárias que variam entre 40 a 50 meticais para as associações filiadas à Federação Moçambicana de Transportadores Rodoviários (FEMATRO), não vêem qualquer retorno ou benefício.
“Não nos sentimos representados pela FEMATRO e não queremos que o Governo interaja connosco através desta organização”, desabafou um dos transportadores, sublinhando que há viaturas que nem sequer operam nas rotas a serem incluídas nos pagamentos, enquanto os que “batem buracos” diariamente são deixados de fora.
A tensão é visível, especialmente na Rota da Liberdade, onde os operadores acusam as lideranças associativas de má gestão de fundos que podem chegar aos 3 milhões de meticais mensais em coletas. Alguns transportadores, revoltados com a situação, ameaçam levar o caso às instâncias judiciais para reaver os valores pagos ao longo dos anos.
Por outro lado, a União dos Transportadores de Maputo e a FEMATRO, em declarações à STV, rejeitaram qualquer irregularidade. As organizações apelam ao diálogo e classificam as críticas como acções de “indivíduos mal-intencionados” que procuram desestabilizar o sector. Durante a recolha da reportagem, um dos principais rostos do protesto chegou mesmo a receber uma intimação por suposta promoção de conflitos.
O impasse continua, enquanto a Federação garante que ainda não há uma previsão exacta de quantas transportadoras serão abrangidas, mas assegura que não haverá injustiças no processo de pagamento dos subsídios.
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