É oficial. Num marco histórico sem precedentes para a justiça moçambicana, a Dra. Thera Rosalina Tobias Joaquim Dai foi eleita Bastonária da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) para o triénio 2026–2029. Trata-se da primeira vez, em 32 anos de existência da agremiação, que uma mulher assume o topo da liderança dos advogados no país.
A confirmação surge após a validação do Relatório Final da Comissão Eleitoral. No escrutínio realizado a 25 de Abril de 2026, a lista liderada por Thera Dai venceu uma corrida concorrida que contava com outros três candidatos da classe: os doutores Stayleir Marroquim, Pedro Macaringue e Samuel Hlavanguane.
Para além do ineditismo de género, as eleições da OAM ficaram marcadas por uma mobilização em massa nos Conselhos Provinciais. Mais de 72% dos profissionais inscritos exerceram o seu direito de voto, um número que a direcção cessante classificou como uma demonstração clara de maturidade democrática.
Num comunicado oficial de balanço, o Bastonário cessante, Dr. Carlos Martins, enalteceu o civismo e o forte engajamento dos advogados e advogados estagiários.
“Esta adesão não é apenas um número, é a expressão inequívoca de uma classe consciente, comprometida e profundamente envolvida no destino da sua organização”, destacou Carlos Martins.
Um dos pontos mais vincados na leitura do processo eleitoral foi a capacidade da classe em manter a autonomia da instituição face a pressões extra-profissionais. Martins elogiou a postura dos membros da Ordem por blindarem o processo de pressões externas.
“Os advogados moçambicanos demonstraram uma elevada consciência institucional, rejeitando qualquer tentativa de interferência externa e votando de forma livre e informada, com base no mérito”, sublinhou.
A transparência do processo foi garantida pela Comissão Eleitoral, presidida pelo Dr. Momede Ussene Popat e coadjuvada pela Dra. Bela Lithuri (Vice-Presidente) e restantes membros, cuja actuação foi publicamente louvada pelo rigor e seriedade.
A transição de pastas representa um momento de orgulho institucional para a advocacia nacional. Ao deixar o cargo, o Dr. Carlos Martins expressou total confiança no futuro da OAM sob o novo comando.
“Para mim, enquanto Bastonário, é motivo de grande honra e orgulho fazer esta passagem de testemunho. Faço-o com a convicção de que a Ordem continuará a trilhar um caminho de afirmação, independência e relevância.”
Com os resultados oficialmente homologados, a OAM renova o seu compromisso histórico na defesa dos direitos fundamentais e na consolidação de um Estado de Direito mais justo e inclusivo em Moçambique.
Imagem: DR