Polícias enfrentam intimidação por queixas de promoções e patentes na PRM

O ambiente no seio da Polícia da República de Moçambique (PRM) está tenso. O presidente da Associação Moçambicana de Polícias (AMOPOL), Nazário Muanambane, quebrou o silêncio e revelou que a liderança da corporação está a instaurar um clima de intimidação para silenciar os agentes. Em causa estão as crescentes reclamações sobre promoções arbitrárias e a estagnação de carreiras que afectam grande parte do efectivo.

Em entrevista exclusiva à ECOTV, Muanambane explicou que o medo de represálias internas é tão severo que muitos polícias evitam até aproximar-se da associação. Sem canais seguros para falar, os agentes têm recorrido às redes sociais e a grupos fechados para fazer denúncias anónimas.

“Os polícias são intimidados para não falar e nem reclamar. É a própria polícia que está a criar este descontentamento dentro da corporação”, desabafou o dirigente.

De acordo com o líder da AMOPOL, os processos de progressão e patenteamento estiveram praticamente congelados durante vários anos, gerando uma profunda frustração entre os diferentes cursos e classes da corporação.

Embora o Comando-Geral esteja actualmente a tentar retomar as promoções, a falta de critérios transparentes e de diálogo está a surtir o efeito contrário, alimentando a revolta e a desconfiança entre os homens da lei e ordem.

Nazário Muanambane apontou também o dedo a antigos dirigentes da PRM, acusando-os de terem trabalhado activamente para desacreditar a AMOPOL. Segundo o presidente, estas chefias criaram dúvidas falsas sobre a legalidade da associação, com o objectivo claro de desencorajar os polícias de apresentarem as suas inquietações de forma organizada e legal.

Imagem: DR

Deixe um comentário