O Director-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, condenou a mais recente onda de ataques xenófobos na África do Sul, descrevendo-a como uma “traição trágica à luta histórica do país por liberdade e justiça”.
Através de um comunicado publicado na rede social X, Ghebreyesus disse estar profundamente entristecido pelas notícias de novos ataques contra estrangeiros, que teriam deixado várias pessoas mortas, milhares de famílias desabrigadas e muitas outras forçadas a fugir em busca de segurança.
“Entre as vítimas, estão pelo menos sete moçambicanos e cinco etíopes mortos em ataques ocorridos em Mossel Bay, no Cabo Ocidental. Milhares de outros estão agora fugindo para salvar as suas vidas”, disse Ghebreyesus.
De referir que nas últimas semanas, os protestos contra imigrantes ilegais em várias províncias da África do Sul tem estado a intensificarem-se a ponto de exigir intervenção policial, depois que manifestantes começaram a ameaçar abertamente a segurança de estrangeiros e seus bens.
Uma das organizações na vanguarda dessa luta, a March and March, estabeleceu o prazo de 30 de Junho para que estrangeiros sem documentos deixem o país.
Ghebreyesus afirmou que ver a África do Sul “recorrer à xenofobia” é uma traição trágica à luta do país pela independência e liberdade.
Lembrou dos vários apoios dados aos sul-africanos na luta contra o apartheid. “As nações africanas se uniram para desmantelar o apartheid. A Etiópia apoiou com orgulho Nelson Mandela (Madiba) em 1962 e emitiu um passaporte para que ele pudesse viajar pelo continente. Outros países ajudaram de diversas maneiras, inclusive com apoio político e financeiro.”
Ele instou os sul-africanos a resolverem as suas queixas por meio de canais legais, em vez de recorrerem à violência.
“Desacordos e queixas devem ser resolvidos pelo sistema de justiça e pelo Estado de Direito, nunca por meio de violência de grupos paramilitares e punição colectiva”, afirmou, sublinhando que a África do Sul merece mais.
“A África merece mais. Parem com o ódio. Protejam os vulneráveis. Defendam a nossa humanidade compartilhada”, disse o responsável da OMS.