Ministro da Justiça sem laudo pericial sobre a morte de Humberto Sartori na B.O.

O Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, revelou que o Executivo ainda não teve acesso aos laudos periciais que determinam a real causa da morte do empresário Humberto Sartori. O antigo proprietário do complexo turístico Kaya Kwanga perdeu a vida na passada sexta-feira no Estabelecimento Penitenciário de Alta Segurança de Maputo, vulgarmente conhecido por B.O., onde se encontrava em prisão preventiva.

Abordado pela imprensa à margem de um evento público, Mateus Saize classificou a morte como um “fenómeno natural” que pode surpreender qualquer cidadão, independentemente de estar em liberdade ou recluso. O governante sacudiu qualquer responsabilidade do Estado no sucedido, sublinhando que as autoridades moçambicanas pautam pela salvaguarda do direito à vida e que, sempre que a saúde dos reclusos desaba, estes são transferidos para unidades sanitárias de referência.

A posição do Ministério da Justiça surge dias após o Ministro do Interior, Paulo Chachine, ter vindo a público apontar uma forte debilidade física como a provável causa do óbito. Segundo Chachine, após dar entrada nas celas da B.O., o empresário ter-se-á recusado a comer, encetando uma greve de fome prolongada que deteriorou o seu estado de saúde já fragilizado.

Humberto Sartori, de 71 anos de idade e de nacionalidade italiana, residia em Moçambique há mais de três décadas. O empresário havia sido detido pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) no dia 21 de Abril de 2024, sob fortes suspeitas de envolvimento em redes de tráfico internacional de drogas e outros crimes conexos.

O caso continua a suscitar acesos debates na sociedade civil e nas plataformas digitais, face ao histórico de mortes misteriosas de figuras mediáticas ligadas a processos judiciais complexos no país. As autoridades asseguram que as investigações prosseguem para o total esclarecimento das circunstâncias que ditaram o fim do empresário.

Imagem: DR

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